quinta-feira, 20 de maio de 2021

EU NO ONTEM E NO HOJE

Nasci em 1961.

Era um tempo diferente.

Dizer que era melhor ou pior é muito relativo, pois algumas coisas eram muito melhores mesmo, entretanto, naquela época também havia coisas piores.

Me tornei adolescente em uma época mágica de poesia, romantismo, inocência e pureza e tive a alegria de vivenciar capítulos inesquecíveis da minha vida, envolvido neste doce cenário.

As responsabilidades vieram muito prematuramente, desde criança já trabalhava e sentia um grande orgulho porque o fruto do meu trabalho contribuía de maneira importante para que meus pais conseguissem pagar as contas no final do mês.

Fui crescendo e sofrendo as primeiras decepções. Primeiro a frustração amorosa, com a primeira paixão, depois as frustrações profissionais, onde os sonhos escaparam pelo vão dos dedos das mãos, justamente no momento em que eu sentia que eles estavam mais próximos de tornarem-se realidade.

E impulsionado pela necessidade de sobreviver às intempéries da vida, fui aprendendo a me levantar à cada novo tombo que levava.

O corpo (e a alma) foram adquirindo cicatrizes e fui desenvolvendo um mecanismo de defesa para enfrentar as pancadas que a vida dava, muitas das vezes de forma totalmente inesperada, a diferença é que eu não era mais pego de surpresa, porque passei a ficar num constante estado de “sobreaviso mental” para sofrer menos.

E passaram-se os anos, as décadas, até que cheguei aqui.

Foram seis décadas de aprendizado, de experiências e de lutas diárias buscando muitas das vezes, reservas de forças de onde eu jamais imaginei que existissem.

Hoje, família constituída, filhos adultos, aposentado, embora continue trabalhando, consigo dar mais atenção para mim e o mais importante, aprendi a me priorizar.

Adotei hábitos que estão fazendo muito bem para mim, e os uso como parte de um processo de “desintoxicação de condicionamentos mentais escravizantes”, que me sugaram muito as energias ao longo destas décadas de vida.

Senti vontade de compartilhá-los e agora o faço enumerando cinco deles a seguir:

    Já não corro mais para atender o telefone quando ele toca e eu estou fazendo coisas importantes do tipo: almoçando, conversando com a família, lendo, falando nos meus rádios, descansando após o almoço, brincando com minha gatinha Lilica ou ouvindo música. Estes momentos, cuja importância negligenciei durante décadas, agora para mim são mais importantes do que qualquer telefonema, por isso eu os curto intensamente. Depois, com calma, pego o telefone, vejo quem ligou e dependendo da importância da ligação eu retorno, dependendo da situação, eu simplesmente ignoro, (mas quem faz o juízo deste grau de importância sou eu, somente eu).

 

  Já não me preocupo muito mais em agradar a todos. Descobri que isso é absolutamente impossível e qualquer tentativa neste sentido é absolutamente infrutífera. Neste sentido, adotei a técnica de simplesmente ignorar aquelas pessoas que não me fazem bem, cuja presença me traz aquele “aperto no estômago”. Sem brigas, discussões ou enfrentamentos desnecessários e perniciosos, simplesmente sigo meu caminho com minhas regras, minhas prioridades e meus valores. Se a pessoa se afastar de mim por causa disso, para mim isso já será um grande ganho, porque o que almejo mesmo, é PAZ.

 

Estou procurando curtir muito, intensamente, as coisas que gosto. As minhas paixões. Por exemplo: Ficar mais de 30 horas num final de semana, dentro do meu “shack” (local onde pratico o radioamadorismo, as comunicações na Faixa do Cidadão e a Radioescuta), se tornou para mim um hábito muito saudável, me recarrega as baterias para a semana toda.

    Outro exemplo: Ficar o dia inteiro na garagem, mexendo no meu Jeep ou saindo com ele para dar uns rolês nas serras que circundam BH, me deixa em estado de “êxtase” indescritível. Para ficar melhor ainda, levo alguns rádios para falar de lá do alto, aí o prazer se completa.

 

    Comecei a adotar uma prática recentemente, embora neste caso, eu esteja com mais dificuldade de aplicá-la: 

    Sempre fui muito saudosista, muito nostálgico. Isso até há algum tempo atrás aparentemente não me incomodava, não me fazia sofrer, porém agora, sinto que não está me fazendo mais bem. Então resolvi deixar de me dedicar à estas viagens ao passado, relembrando insistentemente cenários e situações que são sim memoráveis, lembranças boas, trazem boas recordações. Mas já passaram, não vou conseguir voltar lá para vivenciar isso de novo. Então estou colocando foco mesmo é no presente, porque, como diz o ditado, “o futuro a Deus pertence”

 

E por último, estou aprendendo a curtir minha idade. Chegar aos sessenta anos, deixar a barba (branca) crescer à vontade, entrar em filas de caixas preferenciais no supermercado, estacionar em vagas reservadas, não esquentar mais a cabeça com o cabelo despenteado, sair de pijama no prédio para levar o lixo para a rua, descer as escadas do condomínio de sandálias Havaianas e meias nos pés, isso traz uma liberdade sem igual, a vida se torna mais leve e você se sente bem, muito bem!

É muito pouco provável que você tenha conseguido chegar até aqui na leitura deste texto, se ainda não saiu dos “inta” e já entrou nos “enta”.

Mas para você que chegou, finalizo com apenas uma frase de minha autoria que retrata exatamente minha percepção sobre meu momento:

“Posso até ter saudade de quando eu tinha vinte, trinta anos, mas a saudade que tenho é das paisagens, cenários e personagens vividos naquela época, porque gosto muito mais de mim agora com sessenta.”

 

 

 

 

 

terça-feira, 23 de março de 2021

CRISES E APRENDIZADOS

Em tempos de pandemia, às vezes fico pensando se até aqui devo repercutir este assunto, falando sobre um tema sobre o qual já somos bombardeados vinte e quatro horas por dia com o assunto.

Analisando, porém a situação, concluí que se a abordagem for direcionada a reflexões que contribuam para uma reflexão serena, isso seria positivo e então decidi por abordar sim, esta questão.

Estou há um ano em casa, de Home Office (graças a Deus continuei mantendo meu emprego e minha renda) e durante este tempo acumulei aprendizados importantes.

Listarei alguns dos aprendizados:

Situação 1: Permanecer mais tempo em casa me permitiu reforçar a percepção de que as lides domésticas são demasiadamente pesadas para minha esposa e pequenos desleixos e desorganizações da minha parte significam uma carga extra e desnecessária de trabalho para ela.

Aprendizado: Comecei a colaborar eliminando maus hábitos (deixar roupas espalhadas, vasilhas sujas na pia, toalha molhada no banheiro, etc.) e vi a diferença que isso fez.

 

Situação 2: Nunca consegui ser disciplinado o suficiente para gerir meu próprio tempo em casa com EAD. Comecei diversos cursos e não concluí nenhum deles.

Aprendizado: Com a obrigatoriedade do Home Office fui forçado a me disciplinar respeitando religiosamente os horários da empresa mesmo estando em casa, criando uma rotina mais organizada e gestão otimizada do meu tempo.

 

Situação 3: Sempre fui uma pessoa muito ativa. Invento milhões de atividades, assumo incontáveis compromissos e acabo me perdendo no meio deles, porque eles acabam não cabendo nas 24 horas do meu dia.

Nunca consegui ser disciplinado o suficiente para gerir meu próprio tempo em casa com EAD. Comecei diversos cursos e não concluí nenhum deles.

Aprendizado: Com a obrigatoriedade do Home Office fui forçado a me disciplinar respeitando religiosamente os horários da empresa mesmo estando em casa, criando uma rotina mais organizada e gestão otimizada do meu tempo.

 

Situação 3: Devido à minha hiperatividade e acúmulo de compromissos eu acabava não reservando aquele tempo (precioso) para as (necessárias) conversas com minha esposa, isso estava cada vez mais raro.

Aprendizado: Permanecendo durante o tempo todo em cada, retomamos o sadio e necessário hábito de conversar. Em uma tarde fresca de sábado, nos sentamos no terraço (no chão) e conversamos durante quatro horas. Quando demos conta do horário, já tinha anoitecido. Isso nunca tinha acontecido nos quarenta e quatro anos que estamos juntos.

A despeito dos “efeitos colaterais” da pandemia como: necessidade de distanciamento social, a não participação nas atividades da Casa Espírita, (isso me faz muuuuita falta) saudades dos familiares, interrupção das atividades de lazer, etc., posso afirmar que vieram aprendizados que dificilmente viriam de outra forma.

Vale ainda lembrar que do ponto de vista emocional também estamos sendo testados.

Paciência, tolerância, serenidade, perseverança e resiliência.

Estas virtudes, mais do que nunca, estão sendo indispensáveis para que consigamos navegar neste mar revolto.

Mais que tudo, porém, a FÉ de que tudo passará e que Deus está no comando de todas as coisas é que nos trará a força necessária para seguirmos adiante.

Acima das nuvens escuras e ameaçadoras das tormentas, sempre brilhará um sol irradiante a nos aquecer e iluminar.

Não nos esqueçamos disso e nos esforcemos para manter a PAZ NA TEMPESTADE.

 

 

 

 

PENSAMENTO ELEVADO, ESPIRITO EQUILIBRADO

 Acordar e imediatamente direcionar pensamentos para coisas boas e temas elevados.

Buscar ocupar  a mente evitando aquele "loop nefasto de assuntos negativos".

Não mergulhar na "nuvem cinzenta" da mídia que invade nossos lares despejando ansiedades e apreensões.

Iniciar o dia com preces elevadas e vibrações positivas.

Procurar boas músicas, boas conversas, boas leituras.

Zelar pelas boas relações sem queixas e azedumes nem disseminação de negativismo e derrotismo.

Não podemos simplesmente "virar a chave" e reverter a intempérie, dispersando as nuvens e fazendo imediatamente o sol aparecer.

Mas podemos nos abrigar no nosso "clima interior", amenizando apreensões e minimizando o impacto negativo delas sobre nós.

É "trabalho de formiguinha".

Cada um precisa cumprir a parte que lhe compete.

O fardo do momento pode até parecer mais pesado do que o de costume, mas jamais será mais pesado do que aquele que lograrmos carregar.

Não estamos sozinhos.

Deus está no comando.

SEMPRE.

Excelente dia a todos.

PAZ E LUZ!