segunda-feira, 3 de abril de 2017

QUANDO ...

QUANDO ...

Quando compreendermos que vingança, ódio, desespero, inveja ou ciúme são doenças claramente ajustáveis á patologia da mente, requisitando amor e não o revide...

Quando interpretarmos nossos irmãos delinquentes por enfermos da alma, solicitando segregação para tratamento e reeducação e não censura ou castigo...

Quando observarmos na caridade simples dever...

Quando nos aceitarmos na condição de espíritos em evolução, ainda portadores de múltiplas deficiências e que, por isso mesmo, o erro do próximo poderia ser debitado á conta de nossas próprias fraquezas...

Quando percebermos que os nossos problemas e as nossas dores não são maiores que os de nossos vizinhos...

Quando nos certificarmos de que a fogueira do mal deve ser extinta na fonte permanente do bem...

Quando nos capacitarmos de que a prática incessante do serviço aos outros é o dissolvente infalível de todas as nossas mágoas...

Quando nos submetermos à lei do trabalho, dando de nós sem pensar em nós, no que tange a facilidades imediatas...

Quando abraçarmos a tarefa da paz, buscando apagar o incêndio da irritação ou da cólera com a bênção do socorro fraternal e abstendo-nos de usar o querosene da discórdia...

Quando, enfim, nos enlaçarmos, na experiência comum, na posição de filhos de Deus e irmãos autênticos uns dos outros, esquecendo as nossas faltas recíprocas e cooperando na oficina do auxílio mútuo, sem reclamações e sem queixas, a reconhecer que o mais forte é o apoio do mais fraco e que o mais culto é o amparo do companheiro menos culto, então, o egoísmo terá desaparecido da Terra, para que o Reino do Amor se estabeleça, definitivo, em nossos corações.


-Chico Xavier/André Luiz - do livro Paz e Renovação

quinta-feira, 30 de março de 2017

CLAREAR SEM OFUSCAR

Um cidadão caminhava às margens de uma movimentada rodovia, pelo acostamento, na contramão, indo de encontro aos carros que vinham em sua direção e passavam apressadamente ao seu lado.

Fazia isso porque na contramão, conseguia enxergar os veículos que vinham, prevenindo-se contra  eventuais atropelamentos, pois no caso de algum problema, conseguiria se esquivar.

Caminhou o dia inteiro nesta condição, até que a tarde chegou e logo depois a noite, que tornou seu caminho totalmente escuro.

De frente para os carros, percebeu que à cada novo veículo que vinha, suas vistas ficavam ofuscadas, impedindo-o de enxergar por alguns segundo.
Como o trânsito era intenso, caminhava praticamente sem ver onde pisava, mesmo tendo todo o clarão à sua frente.

Foi que então resolveu atravessar e caminhar na mesma direção dos carros. 
O clarão, vindo de trás, tanto lhe servia de alerta da aproximação dos veículos, quanto lhe clareava a via, sem ofuscá-lo.

Trazendo este cenário para o campo das nossas reflexões, podemos considerar que a luz do conhecimento e das descobertas, quando direcionada de forma inadequada e com intensidade desmedida, poderá ofuscar nosso interlocutor, deixando-o confuso e perdido.

Assim, no terreno das crenças, se desejamos compartilhar a luz do conhecimento Espírita, que derruba paradigmas e mexe com  as estruturas do ser cósmico em evolução, muitas das vezes condicionado à dogmas e misticismos, precisamos dosá-la com amor.

Clarear sem ofuscar. 
Esclarecer sem perturbar. 
Influenciar muito mais pelos exemplos do que pelas palavras.


quarta-feira, 29 de março de 2017

VIVER É UM EXERCÍCIO DE APRENDIZADO

Viver é um exercício de aprendizado contínuo.

Na matéria, aprendemos desde que inflamos nossos pulmões de ar pela primeira vez até o nosso último suspiro.

E dentro deste processo ininterrupto de aprendizagem, vamos gradativamente assimilando experiências, nem sempre agradáveis aos sentidos, mas todas necessárias ao nosso burilamento.

Vamos aprendendo que nossas teimosias, nossos azedumes e os destemperos emocionais a que somos sujeitos nada acrescentam ao nosso processo de crescimento.

Vamos assimilando que nossa prepotência, nossa arrogância, nosso orgulho e vaidade, em nada contribuem para a nossa evolução.

Vamos entendendo que nenhum ser humano é uma "ilha" e que todos nós temos a necessidade de nos relacionar com aqueles que nos cercam, para troca de conhecimentos, informações, e sobretudo, sentimentos.

Vamos percebendo que nossas queixas, nossa revolta e nossa indignação diante dos processos dolorosos da nossa existência, somente contribuirão para agravar nosso quadro de desequilíbrio, levando-nos a processos de melancolia e desalento.

Quando nos dermos conta de que somos nós próprios que escolhemos a cor com que desejamos colorir os cenários da nossa existência.

Quando nos convencermos de que somos senhores do nosso próprio destino e que não passamos por nada que de fato não mereçamos.

Quando aceitarmos os cenários mais difíceis da nossa existência como oportunidades de crescimento e evolução no campo do espírito.

Ai certamente seremos levados à compreensão de que somos seres integrais. Espíritos eternos apenas estagiando por este planeta escola,  onde colheremos os frutos do que plantamos em vidas pregressas e teremos a oportunidade de novas semeaduras para as vidas futuras.



segunda-feira, 27 de março de 2017

CARIDADE NOS PEQUENOS ATOS

Temos desejos de grandes realizações no terreno das atividades beneficentes e no campo da solidariedade humana.
No entanto, somos capazes de passar indiferentes ao irmãozinho de jornada que, com o olhar faminto nos estende as mãos, implorando uma migalha de pão.

Alimentamos a intenção de desenvolver potencialidade intelectuais e aprimorarmos o verbo na busca do conhecimento, com o intuito de buscarmos a tribuna para divulgar a Doutrina Libertadora de Consciência.
No entanto, somos incapazes de dirigir uma palavra de alento e estímulo aos irmãos carentes, que vergados sob o peso das vicissitudes nos procuram para aplacar a dor da solidão e da desdita que por vezes os acompanha.

Recorremos ao Pai solicitando força e coragem para os enfrentamentos do nosso cotidiano, para que nossos eventuais fracassos não nos desestimulem a seguir adiante.
No entanto, somos incapazes de estender nossas mãos aos nossos irmãos que, fustigados pelos açoites da vida, nos clamam o bálsamo da piedade para suavizar as dores das suas feridas.

Se não somos capazes de praticar a  caridade nas pequeninas oportunidades que surgem à cada momento, será ilusão almejarmos grandes feitos no terreno caritativo.
Os exemplos do Cristo nos mostram que é justamente na sutileza dos nossos atos que preparamos nossos corações para galgarmos maiores realizações no terreno da solidariedade.

domingo, 26 de março de 2017

A LUTA DO COTIDIANO

É verdade, lutamos o tempo todo para ver se conseguimos manter uma sensação prazerosa de alegria nas nossas vidas.

É certo que nossa mente trabalha o tempo todo buscando um mecanismo para que tentemos nos esquivar das nossas frustrações, nossos medos, nossas  ansiedades.

É indiscutível que os cenários da nossa existência estão há anos luz daquilo que gostaríamos, pois na verdade nossa ânsia de querer o diferente, de estar mergulhado em outra realidade, de buscar episódios novos, inéditos e alvissareiros é constante.

É do ser humano este sentimento de inconformação, é inevitável e faz parte da nossa existência.

É como se sentíssemos saudades de algo que não vivemos e de sensações que ainda não vivenciamos. 

Na verdade boa parte disso se deve mesmo à saudade, mesmo que inconsciente que temos da nossa verdadeira vida na pátria espiritual.

O cotidiano nos impõe rotinas cansativas, as responsabilidades pesam sobe nossos ombros, as inquietações perturbam nosso sossego. 
Viver mergulhado neste cenário nos desgasta, compromete nossa vivacidade, nossas energias.

É por isso que precisamos entender as leis que regem este mecanismo existencial de seres cósmicos que somos, viajando no tempo e no espaço.

O apóstolo João já nos alertou: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. ”
Assim, a busca pela verdade é na verdade a busca pela nossa libertação.

Entender os mecanismos que regem as nossas sucessivas oportunidades de retorno à matéria, entender a lei de Causa e Efeito, de Ação e Reação, entender a Lei de Retorno implacável a que estamos sujeitos é primordial para que as nuvens escuras da dúvida sejam dissipadas das nossas vidas.

Estamos todos nós no lugar certo, no momento adequado, com as pessoas corretas e vivendo as situações propícias ao nosso aprimoramento. 

Por mais difíceis que possam parecer nossos dias, disso que precisamos neste momento para alavancar nosso crescimento.

Não existem acasos, coincidências, desgraças, sorte ou azar.

Existe sim a Providência Divina intercedendo a nosso favor e criando as condições necessárias para nosso aprendizado, apenas isso.

Entendamos isso, assimilemos estes conceitos, procuremos enxergar além do horizonte, pois nossa passagem pela matéria é rápida e não tarda retornaremos para a Pátria Espiritual para sermos avaliados e também avaliarmos nossa performance neste Planeta Escola.

Assim, levantemos a cabeça, ergamos nossa fronte, olhemos para a frente e para o alto e sigamos adiante.

Um passo de cada vez, mas sigamos sempre, sem fraquejarmos.

E plantemos, plantemos as sementes do bem para que quando a colheita vier, possamos nos deleitar com seus resultados.










A FELICIDADE ESTÁ NAS COISAS SIMPLES

Em uma dessas conversas descontraídas entre amigos de infância, num momento de descontração, acabamos nos lembrando de um dos nossos colegas de classe do tempo do "colegial" e de um episódio que se eternizou em nossas memórias.

A maioria de nós vinha de famílias pobres, existia uma grande dificuldade para que nossos pais conseguissem nos manter na escola porque faltava dinheiro até mesmo para comprar os lápis e cadernos, mas isso não acontecia com o colega que nos veio à mente naquele momento.

Aquele nosso colega, que trazia um sobrenome conhecido e afamado na cidade, era levado para a escola em carros luxuosíssimos, vestia-se bem (o uniforme era impecavelmente limpo, passado, confeccionado com tecidos de excelente qualidade e parecia que tinha uma peça para cada dia da semana).

Como era de se esperar, Luis Fernando (este era seu nome), vivia assediado pelas meninas mais bonitas do colégio e convidado a participar de todos as brincadeiras no intervalo e de todos os grupos que se formavam em classe para elaboração de trabalhos.

Eu fazia parte de um pequeno grupo, de filhos de ferroviários.
Morávamos nas "Casas da Turma", onde residiam os trabalhadores que cuidavam da via permanente (manutenção da linha), tínhamos pouco contato com ele, mal nos falávamos. 
Na verdade sentíamos um pouco de inveja dele (principalmente porque as garotas somente tinham olhos para ele e sequer nos notavam, tratando-nos com total indiferença).
O "riquinho" da classe não fazia parte do nosso grupo de amigos

Estudamos três ou quatro anos juntos, na mesma classe, mas a distância entre nós era  gigantesca, não porque ele fosse arrogante ou ostentasse sua condição social, mas de fato não nos sentíamos à vontade para estar com ele.

Um belo dia nosso grupo estava sentado no pátio, bem aos fundos da quadra esportiva que ali existia, brincando, dando gostosas gargalhadas das palhaçadas de um dos nossos, quando o Luis Fernando se aproximou.

Estranhamos, a surpresa foi tanta que até paramos nossas brincadeiras. 
Ele se aproximou, muito educado pediu licença, após acenarmos com a cabeça concordando com sua presença ele puxou um lenço do bolso, forrou o degrau onde estávamos sentados, sentou-se conosco,  esboçou um sorriso e disse com simpatia e simplicidade:

- Me ensinem a ser felizes como vocês são. Vocês dão risadas o tempo todo, se divertem com qualquer coisa, nunca se separam, de onde vem esta alegria?

A pergunta nos pegou de surpresa porque na verdade nunca tínhamos pensado nisso (nem percebido). 
Não sabíamos o que responder, ficamos olhando um para a cara do outro e para variar, demos gostosas gargalhadas. 
Ele riu junto, começou a participar das nossas brincadeiras de trocadilhos e piadas até bater o sinal e retornarmos à sala de aula.

A partir daquele dia, Luis Fernando sempre fugia do assédio das meninas bonitas que o rodeavam, optando por ficar conosco nos intervalos.

Um belo dia arriscou-se até mesmo a jogar uma "pelada" conosco na quadra, correndo sem jeito com aquela roupa toda "engomada". 

Esta foi sua "cerimônia de iniciação ao grupo". Depois daquele dia em que levou umas caneladas e acabou rasgando o joelho da calça num dos seus tombos, integrou-se ao nosso grupo e tornou-se nosso amigo.

A cena se repetiu durante meses, ele não mais se afastou de nós.

No encerramento do ano letivo, eis que no intervalo, chega o tal carro luxuosíssimo e para na porta da escola. 
Observamos apreensivos que do carro desce uma senhora vestida como se fosse à um "baile na corte", atravessa a quadra e vem em nossa direção.

Ficamos assustados, pois achamos que seríamos repreendidos por ela, afinal o Luis ultimamente não estava voltando para casa tão limpinho e alinhado como antes. Nos encolhemos no nosso canto e esperamos que ela se dirigisse à nós. O Luiz Fernando estava conosco e também se surpreendeu com a presença da mãe que viera sem avisá-lo.

Diferente do que imaginamos, ela chegou sorridente, o motorista a acompanhava com alguns pacotes. Ela abraçou e beijou o filho e disse ao garoto:

- Apresente-me seus amigos, filho!

Ele nos apresentou, ela apertou a mão de cada um de nós, nos chamou pelo nome e entregou um daqueles pacotes (um presente), abraçando-nos (sempre sorridente) e nos disse:

- Vim para agradecer porque vocês aceitaram meu filho no grupo.  Ele sempre me falou da alegria e da bonita união que ele via em vocês, mas que não tinha coragem de procurá-los.

- Sempre me dizia que queria fazer parte para aprender a ser feliz como vocês  e após o dia em que ele teve a coragem de procurá-los, meu filho se tornou uma outra pessoa.

- Vocês conseguiram proporcionar a ele um sentimento, uma emoção, uma empolgação de viver, que mesmo com todas nossas posses jamais conseguimos.

Nos abraçou em lágrimas, beijou nossos rostos suados e empoeirados, despediu-se do filho, retornou ao carro acenando sorridente e foi-se dando tchauzinhos pela janela.

Após alguns segundos em silêncio, olhamo-nos uns aos outros, envolvemos o Luis Fernando num abraço coletivo, colocamos o presente num cantinho da quadra (nem abrimos) e dando gostosas gargalhadas arregassamos as barras das calças e fomos jogar bola.

Hoje, após cinco décadas deste episódio, reflito o quanto é verdadeira a frase que diz:

"A felicidade encontra-se escondida nas coisas simples da vida. Enquanto nos perdermos na ilusão de procurá-la nas complexidades do cotidiano, estaremos brincando de "esconde esconde" com a alegria"


sábado, 25 de março de 2017

ESPIRITISMO E ESPIRITUALISMO

Hoje um amigo me perguntou se eu era "Espiritualista", pois tem visto meus posts e, segundo ele, tomou "coragem para me perguntar". 

Achei engraçada a abordagem dele e o esclareci definindo claramente:
Sou ESPÍRITA !

E conclui: "Tão espiritualista quanto você, que é protestante, pois todo aquele que crê que após o decesso do corpo físico resta algo que permanece vivo, este é Espiritualista."


Acho muito importante que nós, profitentes da Doutrina codificada pelo Mestre de Lyon, deixemos claro estes conceitos:

SOMOS ESPÍRITAS !
SOMOS CRISTÃOS !

E Espiritualistas como todos aqueles que crêem na imortalidade da alma.